Queijos artesanais com amor

O sorriso de Doroteia e a vivacidade de seus olhos são marcantes.

Doroteia de Fátima Silva, dona de expressivos olhos claros e sorriso largo e contagiante, faz queijos de forma artesanal há 15 anos. Ela nasceu na Terra Fria, mas desde que se casou, há 22 anos, mora no bairro Piquiras, ambos no município de Gonçalves, Minas Gerais. Com a fala rápida e o sotaque beeeeeeeem “mineirin”, sô, me contou sobre o prazer que tem em fazer queijos – frescal e meia-cura, aprendidos com a mãe, e de nozinhos e mussarela, que aprendeu de forma autodidata.

O melhor jeito de conhecer o resultado de seu trabalho é experimentando. Foi assim que primeiro soube de sua existência e a próxima parada foi em sua casa, onde também funciona seu posto de venda, no km 8 da rodovia que leva até Gonçalves. Para encontrá-la é só observar uma casa pintada na cor terracota e a placa “Vendem-se queijos” – à direita de quem vai em direção à cidade. Ela anuncia bem seu negócio.

A "vendinha" da Doroteia fica na beira da rodovia, no km 8.

Seu ofício é sua paixão,  como ela afirma: “Fazer queijos é uma das coisas que mais gosto”. Seu esposo, Nicolau, a ajuda, mas é ela que literalmente põe as mãos na massa (para separá-la do soro). Passei uma manhã com Doroteia, acompanhando todo o processo de fabricação, e agora valorizo muito mais o produto que resulta de seis a sete litros de leite ao qual ela dá forma – redondo, quadrado ou em nozinhos.

Montagem com parte do processo da fabricação artesanal de Doroteia; o relógio é inseparável, pois algumas fases precisam ser rigorosamente cronometradas.

Às 5h30 ela já está a postos para coar o leite, depois ferver até a temperatura ideal – de 35 a 40 graus Celsius -, colocar o coalho, mexer por 3 minutos, esperar por 40 minutos até a hora de salgar (com sal Cisne, faz questão de frisar, por não ter impurezas, pois é muito preocupada com qualidade) e começar a prensar nas formas.

Doroteia com a filha Michele e o esposo Nicolau.

Conversar com ela e ouvir suas histórias é um presente à parte. Como saber do amor que tem por sua filha adotiva, Michele, de seis anos, “a filha do coração que amo demais”, ou do quanto gosta de trabalhar em casa para que possa, entre outras coisas, cuidar do sogro “que não enxerga e anda adoentado”. Ela é assim, muito doce e carinhosa. E essa energia acompanha cada queijo que fabrica.

Queijos meia-cura ou de tábua.

Suas maiores recompensas pelo que faz? Ver alguém que comeu seu queijo na casa de alguém ir até lá para comprar também e rever os fregueses que voltam sempre para comprar mais, sejam eles seus vizinhos do bairro, moradores de Gonçalves ou turistas que vão e vêm frequentemente.

Quando perguntei a ela o que ela esperava dessa divulgação que eu faria no blog, ela respondeu, com seu sorriso cativante: “Fico pensando que vou precisar trabalhar mais se todo mundo quiser experimentar”. Tomara! Assim, se você visitar Gonçalves fica o convite para passar pela “lujinha de queijos” da Doroteia. Ela abre todos os dias.

Doroteia e eu nos divertimos durante a entrevista.

Ah, e mencione que soube sobre ela pelo blog. Ela está adorando imaginar que as pessoas a conhecerão pela internet, embora afirme que “não sabe como isso funciona”. :)

(Texto e fotos: Aman Morbeck)

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Outros posts deste blog (clique nos títulos para acessá-los):

– Ditinho Joana

– Restaurante e Pousada Lago Azul

II Festival de Inverno de Gonçalves

Restaurante e Pousada Lago Azul

Corpus Christi em Gonçalves

Nakawe Tecidos

 

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14 respostas para Queijos artesanais com amor

  1. Kleber disse:

    Aman!!!! Como sempre você e as sensacionais dicas da região de Gonçalves. A ” ‘lujinha de queijos’ da Doroteia” é mais um ponto que teremos de conhecer em nossa próxima visita. Bjos!

    • Aman Morbeck disse:

      Kleber, que bom que a história dela despertou essa vontade em você. Tenho certeza que você vai adorar ambos – elas e os queijinhos. :) Abraços.

    • Fernando Oliveira disse:

      Amandina, adoro estas dicas! Este é o verdadeiro GPS cultural da Mantiqueira, difunde e preserva de forma atual a identidade destes verdadeiros “montanhistas” com sua terra e raízes.

      Bjs

      • Aman Morbeck disse:

        Oi, Fernando, adoro “descobrir” essas pessoas e contar suas histórias. Fico contente que tenha gostado, ainda mais por você conhecer aquela região também. Só me falta mais tempo para contar as outras que tenho guardadas aqui. :) Um abraço.

  2. Valéria disse:

    Comadre!Que água na boca…afinal sou uma mineirinha louca por queijos.Adorei a dica.

  3. Sandra disse:

    Amam querida….
    Cada vez que vejo as suas “descobertas” da Mantiqueria fico mais desesperada para ir logo a Goncalves..
    Obrigadissima pelas informacoes valiosas..
    Bjs,
    Sandra

  4. Fábio Cardoso disse:

    Amandina, estou com uma vontade incrivel de comer um queijin …. adorei o post, quando eu for novamente para as montanhas de Goncalves, quero passar na lujinha.

  5. Valéria disse:

    Ei Amandina, também fiquei com vontade de conhecer Gonçalves. Eu, meu Lu e as meninas, que você conheceu pequeninas, vamos nos encontrar qualquer dia lá. Brigadão pela dica.Bjs

  6. Janaína disse:

    Nao deixem de conhecer essa maravilha!!!gonçalves é o lugar mais “mineirinho” que conheço…É LINDO!!!amo morar aquí…

  7. Poliana disse:

    Eu também adoro os queijos da Doroteia e do Zé Rordão, que é como conheço o seu marido. Não vou a Gonçarve sem dar uma paradinha na lujinha. Ah, sem falar no doce de banana, que também é uma delicia, vale a pena …

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